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Mudanças e novas perspectivas: o futuro da profissão contábil em Santa Catarina


Fonte: ND Mais
Data: 22 de setembro de 2022
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Créditos: Nícolas Horácio


O Dia do Contador, comemorado hoje, 22 de setembro, nos remete a 1945, quando o então presidente Getúlio Vargas assinou um decreto que criou o primeiro curso de ciências contábeis do Brasil. Quase 80 anos depois, os cursos de contábeis do território nacional, mais de 1.500, precisam de mudanças e elas serão implementadas em breve. Depois de refletir sobre as adaptações necessárias, o CFC (Conselho Federal de Contabilidade) elaborou uma minuta propondo as alterações. O documento recebeu sugestões dos conselhos regionais e foi enviado ao MEC (Ministério da Educação) para avaliação. A expectativa de implementação é 2023.

Hoje, Santa Catarina tem 21.598 profissionais, entre contadores e técnicos em contabilidade, divididos em 4.962 escritórios. Aqui, 77 instituições de ensino superior ofertam o curso de ciências contábeis. Na última edição da prova que credencia novos contadores, o Estado colocou mais 394 profissionais no setor, o segundo melhor percentual de aprovação do país. Conforme o último censo de educação superior, de 2020, ciências contábeis é o quarto curso com maior número de matrículas no Brasil. Nesse momento, por exemplo, mais de 300 mil alunos estudam para se tornarem contadores.

De acordo com a presidente do CRCSC (Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina), Marisa Luciana Schvabe de Morais, o baixo percentual do Brasil na aprovação de novos contadores pelo exame de suficiência denota a necessidade de mudança na matriz curricular dos cursos de graduação em ciências contábeis. Na última edição do exame, o percentual nacional de aprovação ficou em 23%. Manezinha, moradora de São José, Marisa tem 51 anos, e desde janeiro está à frente do CRCSC. Graduada em ciências contábeis, Marisa trocou a posição de aluna pela mesa de professora logo que se formou. Mestre e doutoranda, possui mais de 24 anos de experiência em sala de aula. Há mais de duas décadas, ela se divide entre o CFC e o CRCSC. Já foi vice-presidente e conselheira em Santa Catarina e, nos últimos oito anos, representou o Estado no órgão federal.

Marisa conta que o exame de suficiência é aplicado duas vezes ao ano pelo CFC. Quem não obtém o registro não consegue exercer a profissão. “Santa Catarina, nas últimas edições, tem um dos melhores índices de aprovação. No último exame, ficamos em segundo e, seguidamente, ficamos entre os primeiros. Ainda que tenhamos problemas no ensino superior brasileiro, os nossos são menores”, ressalta a presidente do CRCSC.

Mudanças em perspectiva

Para a presidente do CRCSC, o ensino superior na área carecia de um olhar mais atencioso, pois a diretriz atual é de 2004. “Estávamos há quase duas décadas sem alteração na legislação. No entanto, o mercado de trabalho do profissional de contabilidade se modificou absurdamente. As diretrizes estavam estagnadas e, agora, estão na iminência de uma alteração e, pela primeira vez, o conselho federal foi acionado para dar sugestões”, comenta a presidente.

Desde o início do ano, o conselho federal trabalha nas mudanças e os conselhos regionais foram convidados a se manifestar. “Em Santa Catarina, chamamos as instituições de ensino superior para opinar. A minuta ficou em audiência pública e, nesse intervalo de tempo, vieram as sugestões. É uma construção coletiva”, enfatiza Marisa.

Segundo a presidente do CRCSC, que além de professora coordena um curso de ciências contábeis em Santa Catarina, as diretrizes atuais focam muito em conteúdo, especificando as matérias que as instituições devem ofertar. “A grande diferença da minuta em construção é que trata um pouco menos de conteúdo e mais de competências. Ela traz as competências, isto é, conhecimentos, habilidades e atitudes, esperadas de um aluno de ciências contábeis após a formação”, ressalta Marisa.

Outra mudança essencial do currículo para a presidente, presente na minuta, é a relação direta com as tecnologias da informação. “Hoje, não se pode conceber um profissional da área contábil – e acho que de nenhuma outra - sem que ele esteja preparado, já na graduação, para o universo altamente tecnológico que vai encontrar. A profissão contábil mudou muito nas últimas décadas em função de tecnologias, como inteligência artificial e big data.”

Questionada sobre o que um profissional de contabilidade não pode deixar de saber em 2022, e daqui para frente, a presidente do CRCSC destaca três fatores: “domínio das tecnologias da informação; habilidades diferenciadas, ou seja, conhecimentos técnicos e outras competências. Além disso, capacitação constante para questões fiscais e tributárias, que se alteram numa velocidade absurda”.

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